O futuro dos negócios com o gigante asiático

Jornal do Comércio  | Em 2018, até novembro, a China já importou do Brasil US$ 61,3 bilhões – quase 60% acima de toda a UE (US$ 38,6 bi) e mais do que o dobro das compras feitas pelos norte-americanos (US$ 26,25 bilhões). Para 2019, um ponto que pode suscitar incertezas nas relações sino-brasileiras é sobre como será o relacionamento com o novo governo do presidente Jair Bolsonaro, que, antes e durante a campanha, criticou o país ao dizer que a China “não está comprando do Brasil, está comprando o Brasil”, e cujo ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também fez declarações pouco amigáveis ao maior parceiro comercial antes mesmo de tomar posse. No caso, os temores são mais pelos investimentos do que pelas compras de produtos em si.

Esses dois fatores (eleições brasileiras e guerra comercial), de alguma forma, já afetaram os investimentos chineses no Brasil em 2018, principalmente por certo represamento dos aportes por aqui, de acordo com Conselho Empresarial Brasil-China (Cebc). Quase 30% dos investimentos esperados para o país em 2018 não ocorreram. Resta saber se o que não saiu no ano passado sairá em 2019 e como o conflito com os EUA e as posições do novo governo impactarão neste ano. Para Gabriel Fragoso, cientista político do conselho, é difícil fazer algum tipo de prospecção bem fundamentada para 2019. Ele aponta, porém, que a baixa efetividade de 2018 é uma tendência.

“É de conhecimento público que o novo governo quer vender estatais, especialmente do setor de energia e, possivelmente, outras concessões. E sabemos do interesse chinês nesse tipo de ativos”, analisa o executivo do CEBC.

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