Artigo – Marcos Caramuru de Paiva: Como entender a China

Fatores principais que impulsionaram o país asiático foram alto nível de poupança, empreendedorismo e bom governo

Valor Econômico| Nos meus 12 anos de vida na China, ouvi frequentemente a pergunta: por que o Brasil, tão rico em recursos, não deslanchou? Sempre enxerguei nos que me indagavam a expectativa de que eu lhes oferecesse uma resposta direta e simples. Impossível.

Os chineses são de uma objetividade arrasadora. Frequentemente procuram explicações concisas para dúvidas que não comportam concisão. Além disso, como vivem numa sociedade com elevadíssima uniformidade de valores e abraçam a ideia confucionista de que no governo comanda uma elite – se ela não operar satisfatoriamente, muda-se a elite -, têm dificuldade de entender a diversidade em outras realidades e explicar por que razão outros países não conseguem ter o êxito do seu.

Encontrei a mesma pergunta, em diferente versão, num artigo denso e bem estruturado, assinado por meu colega Philip Yang, publicado no Valor (“O que o Brasil Quer da China?”, 14/2). A indagação central dele é: “O que terá impulsionado o crescimento econômico tão excepcional da China e tão pífio do Brasil” nas últimas décadas?

Se tivesse a concisão chinesa, responderia que os três fatores principais que impulsionaram a China foram alto nível de poupança, empreendedorismo e bom governo. No Brasil, o primeiro e o terceiro fator deixaram a desejar.

Não creio, contudo, que um comentário simples seja esclarecedor neste caso. Tampouco tenciono oferecer resposta a Philip Yang. Desejo apenas ressaltar cinco de muitos pontos que, em meu juízo, ajudam a entender a China e como ela se diferencia de nós. Em seguida, comentarei brevissimamente o outro tema tratado por Philip: a cooperação China-Brasil.

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