“O Brasil já está isolado”, diz o ex-embaixador Sérgio Amaral

Valor Econômico | Ainda que alinhado aos EUA, país sofre rejeição global na agenda ambiental, que deve piorar com Biden eleito, diz o ex-embaixador Sérgio Amaral

O jurista Sérgio Amaral assumiu a embaixada brasileira em Washington em 2016, poucos meses antes da eleição de Donald Trump à Casa Branca. Em três anos como embaixador, acompanhou a transição de governo que deu uma guinada radical na política americana para a China: da cooperação com Barack Obama para o confronto sob Trump.

O presidente republicano buscará ser reconduzido ao cargo, contra o democrata Joe Biden, que tem vantagem nas pesquisas. Essa eleição é decisiva para o futuro do confronto de potências, que, segundo Amaral, determinará a geopolítica do século XXI. Como a população americana favorece os esforços para conter a emergência chinesa, Biden não deve rever por inteiro as políticas de Trump. Por outro lado, tenderá a buscar mais apoio multilateral, retornando à Parceria Transpacífica (TPP) e aproximando-se dos europeus.

“Estamos assistindo a um momento histórico: a emergência de uma nova superpotência. Pude ver de perto uma parte importante desse processo, que se passou em Washington”, diz. O Brasil, por sua vez, corre risco de ser apanhado no fogo cruzado, caso as potências não entrem em acordo; os demais países podem ser obrigados a escolher um lado.

Imagem: Agência Brasil

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