Tatiana Rosito: Brasil precisa entender melhor a Ásia

Valor Econômico | País pode ter um papel importante na forma como o Ocidente enxerga a Ásia

[…]Mas qual a visão dos chineses e dos asiáticos para a nova ordem? A diversidade cultural do continente dificulta uma visão única. Mahbubani costuma destacar o papel construtivo da Asean e o fato de que o caminho para a liderança asiática deve advir da democracia e do multilateralismo. O professor David Li acredita que não haverá uma visão clara até que a disputa atual possa arrefecer, possivelmente em dez anos. Ele é otimista, mas entende que é muito difícil para os asiáticos (e os demais) ter que escolher lados.

O economista chinês também realçou a importância do diálogo de coordenação política entre os Brics e a relevância de termos o brasileiro Marcos Troyjo como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento.

Por que se teme tanto a China se ela insiste em seu compromisso de abertura e reforma e de ascensão pacífica? Li fez uma autocrítica construtiva sobre seu país, que não se estaria esforçando suficientemente na comunicação com seus vizinhos e o mundo sobre seu papel na nova ordem. Asseverou que a China estará concentrada nos próximos anos em resolver seus problemas internos, e não em exportar seu modelo.

O embaixador Ricupero ressaltou a não ocidentalidade da sociedade brasileira, cuja identidade miscigenada nos aproximaria mais da África e da Ásia do que das sociedades puramente ocidentais. Ressaltou os laços econômicos que hoje unem o Brasil à Ásia: nos primeiros seis meses de 2020, o Brasil exportou 3,4 vezes mais para a China do que para os Estados Unidos, duas vezes mais para Cingapura do que para a França e mais para Bangladesh do que para as três principais economias escandinavas juntas. Concluiu que “a Ásia não é o problema, mas a solução”.

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