Triunfo de Biden, menor tensão com a China

Estado de S. Paulo – Cláudia Trevisan| O diagnóstico de que a China é o maior desafio à frente dos EUA será compartilhado por um governo Joe Biden, mas o democrata buscará cooperar com Pequim em meio à rivalidade para o enfrentamento de problemas de natureza global, entre os quais a questão ambiental ocupará lugar de destaque. O que não mudará é o foco na competição tecnológica com a China, que faz parte da transformação estrutural registrada nos últimos quatro anos.

No lugar das ações unilaterais do presidente Donald Trump, Biden coordenará com aliados americanos uma eventual estratégia em relação à China, a qual poderá incluir questões como privacidade de dados e 5G. Temas relacionados a direitos humanos e democracia ganharão espaço na agenda bilateral, o que pode ser reforçado em posições conjuntas com a Europa.

À diferença dos anos Trump, uma gestão democrata deve ser mais previsível no relacionamento com a China, sem que isso signifique o retorno à política de engajamento que vigorou até o fim do governo Obama. Deve haver uma redução das áreas de confronto e a adoção de outros instrumentos na administração da rivalidade crescente entre os dois países. Na disputa tecnológica, o democrata deverá priorizar medidas e políticas industriais que aumentem a capacidade de inovação da indústria americana.

Biden é crítico das tarifas impostas pelo atual presidente sobre bilhões em importações de produtos chineses, sob o argumento de que elas acabam sendo pagas pelas empresas e consumidores americanos. Ainda assim, o ex-vice-presidente não deixou claro se vai rever as barreiras em vigor.

O combate à mudança climática está no centro do programa de governo de Biden e ele sabe que o problema não pode ser enfrentado sem a cooperação entre EUA e China, que juntos respondem por 43% das emissões de gases que provocam o efeito estufa. O democrata também estará aberto a colaborar com Pequim em outras áreas que demandam ações globais, como saúde pública e não proliferação nuclear. Ele deve ainda abandonar as generalizações sobre estudantes e pesquisadores chineses adotadas por Trump.

Durante o governo Obama, o então vice-presidente foi um entusiasta da Parceria Transpacífico, o TPP, o mega acordo comercial que cobriria 40% do PIB mundial, mas excluiria a China. Assim que assumiu, Trump retirou os EUA do pacto, no que foi considerado por muitos analistas como um erro estratégico. Biden anunciou a intenção de renegociar o TPP, ainda que o eventual retorno dos EUA não esteja na sua lista de prioridades para o curto prazo. No primeiro momento, sua prioridade será a economia americana e investimentos em infraestrutura.

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