Pandemia e alinhamento com Trump desgastaram relação Brasil-China em 2020

Folha de S. Paulo | De esperança de investimentos, país asiático se transformou em vilão externo para governo Bolsonaro

[…]Diplomatas da ativa e aposentados avaliam que a deterioração política na agenda bilateral neste ano ocorreu principalmente pela decisão do governo Bolsonaro de imitar a retórica anti-China do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Foi um ano atípico do ponto de vista de política externa, porque nós ficamos muito influenciados pelo acirramento da visão americana da China”, afirma Marcos Caramuru, ex-embaixador do Brasil em Pequim e hoje sócio da Kemu Consultoria.

“Foi um ano complicado devido às eleições nos EUA. E Trump apostou tudo o que podia nas suas diferenças com a China”, afirma Luiz Augusto de Castro Neves, também ex-chefe da missão brasileira na China e hoje presidente do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China).

[…]Diplomatas que seguem o tema manifestam preocupação que a confrontação política leve a retaliações por parte dos chineses contra o Brasil, principalmente nas vultosas compras que o agronegócio efetua para o gigante asiático.

[…]Mas especialistas alertam que outros fatores contribuíram para os excelentes resultados neste ano para o Brasil. Uma conjuntura que, afirmam, pode mudar em 2021.

O principal ponto é que a China esteve nos últimos anos em uma acirrada disputa comercial com os EUA liderados por Trump. Chineses e americanos continuarão rivalizando na arena global, mas a aposta é por um relacionamento com menos choques diretos e com menos batalhas comerciais sem o republicano na Casa Branca. E isso pode levar Pequim a comprar mais dos americanos produtos agrícolas que hoje são adquiridos do Brasil.

Além do mais, diplomatas afirmam que os chineses tentam diminuir a dependência que têm das vendas agrícolas brasileiras e que a retórica do governo Bolsonaro pode acelerar um processo de busca por novos fornecedores.

Acesse a Publicação