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Abiove: “estado-empresário” traz risco à empresa estrangeira na China

Data: 26/02/2015
Globo Rural

A atuação do estado chinês como “empresário” é um dos principais entraves para investimentos da indústria de soja no mercado local. Foi o que afirmou nesta quinta-feira (26/2) o secretário geral da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho, para quem o fornecimento da oleaginosa em grão ainda é uma “oportunidade bilionária”.

Ele participou, em São Paulo, a divulgação de um estudo sobre oportunidades para o Brasil na China, feito pela Agência Brasileira de Promoção das Exportações (Apex-Brasil) e Conselho Empresarial Brasil China (CEBC). O estudo mapeou o mercado chinês em oito setores ligados ao agronegócio.

No caso da soja, o trabalho destaca a intensa política de agregação de valor na cadeia produtiva da oleaginosa chinesa. De 2008 a 2013, a produção de soja da China caiu de 15,5 milhões de toneladas para 12,2 milhões, informa a pesquisa, com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Ao mesmo tempo, a importação do grão passou de 41,1 milhões para 69 milhões de toneladas. No mesmo período, a produção local de óleo de soja passou de 7,3 para 12,2 milhões de toneladas e a importação caiu de 2,5 para 1,5 milhão de toneladas.

Um dos autores da pesquisa, André Soares destacou durante sua apresentação que o sistema tarifário chinês também beneficia o produto de maior valor agregado. Entanto a importação do grão é taxada em 3%, sobre o óleo e o farelo incidem tarifas de 9%. “Um maneira de driblar essa escalada tarifária seria fazer investimentos na China”, disse Soares.

Dizendo até “invejar” a política de agregação de valor chinesa no caso do soja, o secretário geral da Abiove, Fábio Trigueirinho, ponderou, no entanto, que entrar no mercado local de processamento da oleaginosa é difícil, já que o próprio governo chinês tem processadora do grão. Diante disso, há um “risco adicional” para os competidores estrangeiros no país.

“O estado chinês é empresário. Não dá para falar em economia de mercado. Se, eventualmente, algum órgão do governo criar alguma dificuldade para uma empresa de capital internacional é muito mais difícil porque há interesss conflitantes”, disse, destacando que a rentabilidade da indústria de soja está mais ligada ao volume de produção do que à margem obtida na operação.

“Você tem que ter um ambiente seguro. Há empresas internacionais que operam lá, mas você tem que conhecer bem a cultura, a forma de condução das questões políticas para não ter nenhum problema. È possível, mas a atenção tem que ser redobrada”, acrescentou.

Complementaridade
Para Fábio Trigueirinho, um fator positivo na relação entre os dois países está na complementaridade: o mercado chinês como demandante de alimentos e o brasileiro como fornecedor. O secretário geral da Abiove lembrou que 70% das exportações de soja em grão do Brasil vão para a China.

Na avaliação dele, a dificuldade de agregar valor à cadeia produtiva no Brasil está muito mais ligado a questões internas do que propriamente à conjuntura internacional. Para Trigueirinho, falta uma política clara voltada para a maior eficiência, principalmente no que diz respeito à tributação.

“Foi feito um trabalho de desoneração das exportações, mas pela metade. O produto agrícola é exportado sem tributação. A indústria compra o produto e é considerada uma operação de mercado interno mesmo que ela vá exportar 100% da produção derivada da matéria-prima, e tenho que pagar”, disse o secretário-geral da Abiove.

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